Texto: KOOLHAAS, Rem. Conversa com estudantes. Barcelona: Ed. Gustavo Gilli, 2002. Pag. 21-29.
SOBRE O AUTOR
Rem Koolhaas nasceu na Holanda, em 1944, e estudou Arquitetura em Londres. É um nome de referência incontornável na arquitetura contemporânea, autor de uma obra marcada por inúmeras distinções, como o Pritzker Prize e o Prémio de Arquitetura da União Européia Mies van der Rohe.
Koolhaas criou em 1975 o OMA (Office for Metropolitan Architecture), em Rotterdam, gabinete que, em 199, apresentou a proposta vencedora da Casa da Música do Porto.
Em 2007 foi atribuído à Casa da Música o prêmio do Instituto Real dos Arquitetos Britânicos (RIBA), com o júri a classificar o edifício de "intrigante, inquietante e dinâmico".
SOBRE A OBRA
O livro reúne uma conferência e um seminário ministrados na Rice University School of Architecture, onde Koolhaas discute as implicações urbanas e arquitetônicas da construção "extra-grande" usando três exemplos de projetos de grande escala: o Terminal Marítimo de Zeebrugge (Bélgica), a Biblioteca da França em Paris e o ZKM Centro de Arte e Tecnologia de Mídia Karlsruhe (Alemanha). O texto do seminário reúne de uma maneira concisa e acessível às principais teorias de Koolhaas e OMA.
O trecho em estudo refere-se especialmente aos projetos da Biblioteca Nacional de Paris. Trata-se de uma combinação de cinco edifícios separados, onde um funcionaria como uma cinemateca, outro seria uma biblioteca para aquisições recentes, outro seria para referências, um para periódicos e uma biblioteca científica; o que significa uma diversidade enorme de usos. O edifício deveria ser baixo, porém de proporções gigantescas. Koolhaas e sua equipe pensaram em dois componentes antagônicos, onde a articulação das suas partes principais seria uma ausência de construção. Ou seja, a área de acervo seria como um enorme cubo no qual os espaços públicos seriam simplesmente escavados. Até aí, decidiram que a planta seria quadrada, que haveria nove elevadores que atravessariam cada vazio e que as diferentes exigências de luz determinariam as características das áreas públicas. Todo o edifício funcionaria como uma viga apoiada sobre paredes de dois metros de espessura, que alternavam entre espaços de doze metros, por onde passariam todas as instalações. Assim o primeiro pavimento seria aberto, destinado ao recebimento de visitantes. As caixas dos elevadores teriam painéis eletrônicos que indicariam o destino de cada elevador. A biblioteca para aquisições recentes seria horizontal, a cinemateca seria um espaço inclinado, a biblioteca de referência seriam uma espiral que conectaria os cinco pavimentos, a biblioteca de catálogos teria espaço oval fazendo interseção com a fachada e o edifício teria uma enorme janela voltada para a cidade de Paris.
REFERÊNCIAS DO AUTOR
A premissa que Koolhaas teria de lidar seria um prédio baixo, porém de proporções gigantescas, com um eixo partindo de algum local do terreno prolongando-se pelo Sena em uma ponte de pedestres, com cinco funções específicas que se diferenciariam no espaço desse único pódio. O prédio surgiu como uma reação às normas de arquitetura existentes que resolve tudo pela invenção da forma. Sua intenção era de fato tentar inventar arquitetonicamente.
APRECIAÇÃO CRÍTICA
Na Biblioteca Nacional da França a abordagem feita por Rem Koolhaas, é quase artística, demonstrando uma atitude crítica e não convencional em relação ao programa. “Em um momento em que a revolução eletrônica parece prestes a dissolver tudo o que é sólido - a eliminar toda a necessidade de concentração e concretude física – parece absurdo imaginar a suprema e definitiva biblioteca.”Ele assume uma forma muito diferente, a de criar edifícios que encapsulam a “cultura de congestionamento”, por romper com a natureza genérica modular da arquitetura moderna.
“A ambição deste projeto é livrar a arquitetura de responsabilidades que ela não pode mais sustentar e explorar essa nova liberdade agressivamente. O que sugere que, liberada de suas antigas obrigações, a função última da arquitetura será a criação de espaços simbólicos que acomodem o persistente desejo de coletividade.”
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