segunda-feira, 5 de outubro de 2009

INVERSÃO DO OLHAR

Roça Grande é um bairro de Sabará famoso por suas romarias dos devotos de Santo Antônio, com seu povoado de costumes locais que insiste em atravessar gerações nas terras de Minas Gerais. Local onde o tempo corre distinto da maioria dos lugares da região, sempre a revelar um ar preguiçoso de ruralidade, seja pela poeira vermelha do chão que teima em marcar presença, seja pelo jeito tranqüilo dos habitantes em contar as horas.
Para quem vem da Cidade em direção a região, de cara ficam evidentes as discrepâncias resultantes do choque entre as duas áreas. A falta de infra estrutura, transportes coletivos, rede de esgoto, pavimentação nas regiões mais acidentadas, falta de coleta de lixo, o crescimento irregular da malha urbana assim como outros, são fatores bastantes distintos da região. Por conseqüência tendemos a regularizar essas diferenças com a introdução do conceito de urbanização como sinônimo de progresso. Isso por vez tende a mascarar as reais nececidades da região e acaba por induzir o crescimento em função dos grandes centros urbanos. A população de baixa renda uma vez que não encontra trabalho na região busca os grandes centros para se tornar mão de obra assalariada acabando por sufocar o restrito comércio da região, que tem sua atenção desfocada para outras áreas.
A região que antes tinha um potetncial de crescimento favorável à população e ao comércio local se torna um mero bairro de operários. A inversão do olhar nesta situação pode provocar um movimento a favor da comunidade, um olhar de quem é da região para fora, de quem busca por novas potencialidades a fim de encontrar nos próprios meios alternativas para desenvolver a região.
Por Ricardo Cabral Cunha

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